Análise: Burnham é o 5º premiê em 4 anos — e agora tenta contrariar tendência no Reino Unido
Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, será o sétimo líder do país nos últimos 10 anos. Getty Images A partir desta segunda-feira (20), o Reino Unido pas...
Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, será o sétimo líder do país nos últimos 10 anos. Getty Images A partir desta segunda-feira (20), o Reino Unido passará a ter seu quinto primeiro-ministro em apenas quatro anos: Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester. Essa frase resume bem o momento vivido pela política britânica. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No verão de 2022, o então primeiro-ministro britânico Boris Johnson já estava de saída, embora ainda permanecesse no cargo. Desde então, o Reino Unido já teve Liz Truss, Rishi Sunak e Keir Starmer como primeiros-ministros. Não por acaso, Burnham dirá mais tarde — segundo informações obtidas pela reportagem da BBC — que está "plenamente consciente" dessa constante troca de líderes no comando do governo britânico. A observação deve provocar sorrisos irônicos entre os seus críticos, dentro e fora do Partido Trabalhista, que há muito afirmam que Burnham vinha se preparando para chegar a esse momento. Nos anos que se seguiram após o Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia) e a covid-19, muitos britânicos passaram a sentir que a vida ficou mais difícil — um momento que favoreceu sentimentos de impaciência com a classe política e perda de confiança nos partidos tradicionais. Keir Starmer deixa o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido É esse o cenário que Burnham encontrará ao chegar a Downing Street, a sede do gabinete do primeiro-ministro, assim como aconteceu com Starmer há 746 dias, em outro ensolarado dia de julho, dois anos atrás. Agora, Burnham tenta romper essa sequência de governos impopulares. Burnham está determinado a assumir o cargo em ritmo acelerado e, sempre que possível, manter o estilo de liderança que adotou como prefeito da Grande Manchester. As regras da Câmara dos Comuns e compromissos oficiais, como as audiências com o rei, provavelmente farão com que ele use terno com mais frequência do que nos últimos anos. Mas outras convenções poderão ser descartadas intencionalmente. Ouvi dizer, por exemplo, que Burnham poderá abrir mão do tradicional púlpito para seu primeiro discurso como primeiro-ministro, em frente ao número 10 de Downing Street, na segunda-feira (20). Também ouvi que ele pretende realizar sessões de perguntas e respostas com eleitores em diferentes partes do país — um formato que um aliado descreveu como People's Question Time (Hora de Perguntas do Povo, em tradução literal), em que Question Time faz referência tanto a um mecanismo oficial do Parlamento britânico (em que membros das duas Câmaras fazem perguntas a ministros do governo) quanto a um famoso programa de televisão (em que membros do público fazem perguntas a políticos). Antes do grande momento de Burnham, no entanto, virá a despedida de Starmer. Antes do grande momento de Burnham, no entanto, virá a despedida de Starmer Reuters Depois de passar o seu último fim de semana no cargo em Chequers, a residência oficial de campo do primeiro-ministro em Buckinghamshire, Starmer fará um breve pronunciamento — desta vez, com púlpito — antes de seguir para uma audiência com o rei Charles 3º e formalizar a sua renúncia ao cargo. A expectativa é que Starmer destaque o que considera as suas principais realizações, tanto na política doméstica quanto no cenário internacional. Integrantes de sua equipe citam, com especial orgulho, a redução da imigração e das filas de espera do NHS (sistema público de saúde do Reino Unido) na Inglaterra, a retirada de crianças da pobreza e a criação da proibição do uso de redes sociais por adolescentes. Ao longo da tarde e da noite, devem ser anunciadas as nomeações para o novo gabinete, incluindo, segundo apurou a reportagem, um ministro encarregado da área de inteligência artificial (IA). A principal expectativa gira em torno dos cargos mais importantes do governo, como os de chanceler do Tesouro (equivalente ao Ministro da Fazenda no Brasil), ministro do Interior e ministro de Relações Exteriores. Shabana Mahmood, Wes Streeting, Ed Miliband, Angela Rayner e Lucy Powell são apenas cinco dos nomes cotados. Que pastas eles receberão? E o que essas escolhas indicarão sobre a forma como Burnham pretende governar? A resposta virá em breve. Também começaremos a ter uma ideia das prioridades imediatas do novo primeiro-ministro, entre elas o custo de vida e as contas de energia, além da forma como seu governo será estruturado. Até que ponto a equipe do número 10 de Downing Street será reforçada? E qual será a influência do chamado Nº 10 Norte, o escritório de Burnham em Manchester (em uma tentativa de descentralizar o poder de Londres)? O que acontecerá nas próximas horas já não é novidade, diante da frequência com que o Reino Unido trocou de primeiro-ministro nos últimos anos. Mas nem por isso deixa de ser um momento importante. O que for anunciado nas próximas horas terá grande impacto sobre a forma como o país será governado nas próximas semanas, meses e anos.