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Caso Epstein: deputados dos EUA criticam governo Trump por 'tarjas excessivas' e 'acobertamento' após acesso privilegiado a arquivos

Cúmplice de Epstein se recusa a depor no Congresso americano Deputados republicanos e democratas dos Estados Unidos criticaram o governo Trump em meio a idas Ã...

Caso Epstein: deputados dos EUA criticam governo Trump por 'tarjas excessivas' e 'acobertamento' após acesso privilegiado a arquivos
Caso Epstein: deputados dos EUA criticam governo Trump por 'tarjas excessivas' e 'acobertamento' após acesso privilegiado a arquivos (Foto: Reprodução)

Cúmplice de Epstein se recusa a depor no Congresso americano Deputados republicanos e democratas dos Estados Unidos criticaram o governo Trump em meio a idas à sede do Departamento de Justiça para ter acesso privilegiado aos arquivos do caso Epstein. Eles acusaram falta de transparência e exigiram melhores condições de visualização —alguns, mais enfáticos, falaram em "acobertamento". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A ida dos congressistas ao prédio do Departamento de Justiça em Washington D.C. ocorre após o governo Trump ter permitido o acesso privilegiado dos políticos aos documentos, que puderam os visualizar com menos tarjas em relação às divulgadas ao público. Entre os deputados que se manifestaram até o momento sobre o acesso privilegiado aos arquivos do caso Epstein são os seguintes: Thomas Massie, republicano; Anna Paulina, republicana; Lauren Boebert, republicana; Nancy Mace, republicana; Ro Khanna, democrata; Jamie Raskin, democrata; Becca Balint, democrata. O acesso privilegiado aos políticos foi dado em meio a uma crise nos EUA por conta da divulgação dos arquivos do caso de Jeffrey Epstein, um bilionário acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores e que tinha uma rede de contatos que envolvia os homens mais poderosos do mundo. Epstein morreu na prisão em 2019. Deputados Thomas Massie, republicano (à esq.), e Ro Khanna, democrata, falam com jornalistas na sede do Departamento de Justiça dos EUA após terem acesso privilegiado a documentos do caso Epstein em 9 de fevereiro de 2026. REUTERS/Kent Nishimura As reclamações de tarjas excessivas se intensificaram desde a rodada mais recente de publicações de documentos, no final de janeiro, na qual o Departamento de Justiça norte-americano divulgou cerca de três milhões de arquivos do caso. Isso gerou uma petição na Câmara dos EUA, assinada por 217 deputados, para obrigar o governo Trump a dar acesso às versões sem tarjas. Mesmo assim, os deputados Massie e Khana denunciaram na segunda-feira um "tarjamento excessivo" dos documentos, que teriam tido informações sensíveis censuradas pelo FBI e tribunais antes de chegar ao Departamento de Justiça. "Nossa maior preocupação é que ainda há muita coisa tarjada, mesmo no que estamos vendo. Estamos vendo versões com tarjas. (...) Continuamos fazendo buscas pelas informações sem tarjas, (...) porque a nossa lei diz que os documentos do FBI e do grande júri original precisam estar sem tarjas", afirmou o deputado Ro Khanna. Massie afirmou que descobriu um dos nomes censurados nos arquivos —de Leslie Wexner, ex-CEO da Victoria's Secret— ao fazer uma busca reversa após ver o documento. Essa descoberta fez com que o Departamento de Justiça retirasse a tarja na versão divulgada ao público, como anunciado pelo vice-procurador-geral Todd Blanche na segunda-feira. "Eu gostaria de dar ao Departamento de Justiça a chance de dizer que cometeu um erro e exagerou nas tarjas, e permitir que os nomes desses homens sejam destarjados. Essa provavelmente seria a melhor forma de resolver isso", afirmou Massie. Para justificar a exigência para a divulgação de mais nomes, os políticos foram uníssonos ao dizer que "é impossível" haver apenas uma cúmplice de Epstein descoberta pelas autoridades até o momento, dada a magnitude da rede de tráfico sexual montada pelo bilionário. "Com mais de 1.000 vítimas, não há como ter existido apenas um cúmplice. Todos os envolvidos precisam ser responsabilizados com o máximo rigor da lei — e o mesmo vale para as pessoas que acobertaram tudo isso", afirmou a deputada Nancy Mace nesta terça-feira (10). O deputado Jamie Raskin denunciou na segunda-feira que o Departamento de Justiça disponibilizou apenas quatro computadores para os políticos verem os documentos do caso Epstein. O político também criticou os tarjamentos excessivos, que contradizem o vazamento dos nomes de dezenas de vítimas que não se sabia previamente. "O Departamento de Justiça está disponibilizando aos membros do Congresso apenas quatro computadores, em um escritório satélite, para que possam ler o Arquivo Epstein sem tarjas. Isso parece um acobertamento", afirmou Raskin a jornalistas. "São um bando de tarados doentes. (...) O que é tão nojento é que tantas pessoas sabiam", disse a deputada Becca Balint em entrevista ao veículo independente "Drop Site" na saída do Departamento de Justiça. "Tive apenas meia hora e estava interessada em alguns documentos específicos. Um deles era saber se Trump alguma vez havia expulsado Epstein de Mar-a-Lago, como ele afirmou — e isso não é verdade", afirmou Balint. A deputada Lauren Boebert afirmou que visualizou os arquivos na segunda-feira e irá novamente nesta terça. Ela disse a um transeunte, que publicou o depoimento nas redes sociais, que "definitivamente há gente implicada, possivelmente como co-conspirador" de Epstein. Ela também disse "achar que nem todos ali que estavam falando de tráfico de garotas menores de idade são vítimas" de forma irônica em referência a uma fala nesse sentido divulgada pelo Departamento de Justiça. Cúmplice de Epstein condiciona depoimento a perdão de Trump Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein AFP; Reuters Ghislaine Maxwell, condenada por ser cúmplice do bilionário Jeffrey Epstein, recusou-se a responder às perguntas de uma comissão do Congresso dos EUA em depoimento na segunda-feira (9). Ela invocou seu direito legal de não produzir provas contra si mesma, disseram parlamentares. Os advogados de Maxwell disseram à comissão da Câmara que ela estava preparada para depor caso recebesse indulto do presidente Donald Trump. Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão atualmente por aliciar jovens, muitas das quais menores de idade, no esquema de exploração sexual e pedofilia comandado por Epstein, que foi seu namorado nos anos 1980. Eles mantiveram uma relação próxima até pouco antes da morte do financista, em 2019. "Após meses desafiando nossa intimação, Ghislaine Maxwell finalmente compareceu perante nossa Comissão e não disse nada. Quem ela está protegendo? Vamos acabar com esse acobertamento da Casa Branca", disse, em nota, o grupo de supervisão da Câmara do Partido Democrata, sobre o silêncio da depoente. A posição de não dizer nada já havia sido revelada pela sua defesa no domingo (8). O depoimento de Maxwell ocorre pouco mais de uma semana após o Departamento de Justiça dos EUA divulgar milhões de documentos internos relacionados a Epstein. O deputado republicano James Comey, presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, foi pressionado a realizar o depoimento de Maxwell, após atuar ativamente para que fossem cumpridas as intimações contra o ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, ambos democratas. Depois que Comey os ameaçou com acusações de desacato ao Congresso, ambos concordaram em prestar depoimento ainda este mês.